Utopia, sempre ![]()
Um traço que deve caracterizar o ser humano, ainda não embrutecido pela própria fraqueza ou pela realidade tremenda, é a liberdade que se reserva de opor ao evento defeituoso, á situação decepcionante, uma força contraditória. Essa força poderia chamar-se esperança; esperança de que aquilo não é, não existe, pode vir a ser; uma espera no sonho, de que algo se mova para frente, para o futuro, tornando realidade aquilo que precisa acontece, aquilo que tem de passar a existir.
Essa força talvez pudesse ser chamada, também, de força do sonho. Mas também seria um nome inadequado: acima de tudo, porque não somos nós que temos um sonho e, sim, o sonho que nos tem. Ele escapa ao nosso controle, impõe-se a nós tanto quanto se insinua sobre nós essa realidade manca ou sufocante que precisa ser mudada. E é necessário termos o controle dessa mudança, algum controle. Sonhar apenas, portanto não serve.
Estaríamos mais perto do nome adequado a essa força de contradição se pensássemos na imaginação, essa capacidade de superar os limites freqüentemente medíocres da realidade e penetrar no mundo do possível. E esta designação para aquela força não seria inconveniente se a imaginação fosse vista não como um amontoado de insanidades, diversas das provocadas pelo sonho apenas pelo fato de serem produzidas de olhos abertos, mais sim como uma das estruturas de sustentação da própria realidade e sem a qual esta não pode existir sob pena de retirar-se desse real aquele elemento criativo capaz de fazer da vida algo diferente de uma câmara escura, de um caixão de defunto.
Mas a imaginação necessária á execução daquilo que deve vir a existir não é a imaginação digamos comum, aquela que se alimenta apenas da vontade subjetiva da pessoa e se volta unicamente para seu restrito campo individual, detendo-se exclusivamente para propor coisas como montanhas de ouro. Tem de ser uma imaginação exigente, capaz de prolongar o real existente na direção do futuro, das possibilidades; capaz de antecipar este futuro enquanto projeção de um presente a partir daquilo que neste existe e é passível de ser transformado. Mais: de ser melhorado.
Essa imaginação exigente tem um nome: é a imaginação utópica, ponto de contrato entre a vida e o sonho, sem o qual o sonho é uma droga narcotizante como outra qualquer e ávida, uma seqüência de banalidades insípidas. É ela que, ate hoje pelo menos, sempre esteve presente nas sociedades humanas, apresentando-se como o elemento de impulso das invenções, das descobertas, mas também, das revoluções. É ela que aponta para a pequena brecha por onde o sucesso pode surgir, é ela que mantém em pé a crença numa outra vida. Explodindo os quadros minimizadores da rotina, dos hábitos circulares, é ela que, militando pelo otimismo, levanta a única hipótese capaz de nos manter vivos: mudar a vida.
COELHO NETO, José Teixeira. O que é utopia.

“Escrever é um trabalho duro.
acidente-e poucas saem
Na primeira, na segunda ou
Mesmo na terceira tentativa.
Lembre-se disso como consolo
Nos momentos de desespero.”
(Willian Zinsser)

“O que é escrito sem
Esforço é geralmente
Lido sem prazer.”
(Samuel Johnson)
A timidez e a contradição
Ser um tímido notório é uma contradição. O tímido tem horror a ser notado, quanto mais a ser notório. Se ficou notório por ser tímido, então tem que se explicar. Afinal, que retumbante timidez é essa, que atrai tanta atenção? Se ficou notório apesar de ser tímido, talvez estivesse se enganando junto com os outros, e sua timidez seja apenas uma estratagema para ser notado. Tão secreto que nem ele sabe. É como no paradoxo psicanalítico: só alguém que se acha muito superior procura o analista para tratar um complexo de inferioridade, porque só ele acha que se sentir inferior é doença.
Todo mundo é tímido, os que parecem tímidos são apenas os mais salientes. Defendendo a tese de ninguém é mais tímido do que extrovertido faz questão de chamar atenção para sua extroversão, assim ninguém descobre sua timidez. Já no notoriamente tímido, a timidez que usa para disfarçar sua extroversão tem o tamanho de um caro alegórico. Daqueles que sempre quebram na concentração. Segundo minha tese, dentro de cada Elke Maravilha existe um tímido tentando se esconder e dentro de cada tímido existe um exibido gritando “Não me olhem! Não me olhem!” só para chamar atenção. O tímido nunca tem a menor duvida de que, quando entra numa sala, todas as atenções se voltam para ele e para sua timidez espetacular. Se cochicham, é sobre ele. Se riem, é dele. Mentalmente, o tímido nunca entra num lugar. Explode no lugar, mesmo que chegue com a maciez estudada de uma noviça. Para o tímido, não apenas todo mundo mas o próprio destino não pensa em outra coisa a não ser nele e no que pode fazer para embaraça-lo.
O tímido vive acossado pela catástrofe possível. Vai tropeçar e cair e levar junto a anfitriã. Vai ser acusado do que não fez, vai descobrir que estava com a braguilha aberta o tempo todo. E tem certeza de que cedo ou tarde vai acontecer o que o tímido mais teme, o que tira seu sono e apavora os seus dias: alguém vai lhe passar a palavra.
O tímido tenta se convencer de que só tem problemas com multidões, mas isto não é vantagem. Para o tímido, duas pessoas são uma multidão. Quando não consegue escapar e se vê diante de uma platéia, o tímido não pensa nos membros da platéia como indivíduos. Multiplica-os por quatro, pois cada individuo tem dois olhos e dois ouvidos. Quatro vias, portanto, para receber suas gafes. Não adianta pedir para a platéia fechar os olhos ou tapar um ouvido para corta o desconforto do tímido pela metade. Nada adianta. O tímido, em suma, é uma pessoa convencida de que é o centro do universo, e que seu vexame ainda será lembrado quando as estrelas virarem pó.
Luiz Fernando Veríssimo, jornal do Brasil, 10 mar. 1996.
Boa tarde!
Oi galera faço parte de projeto, junto com alguns colegas, no qual elaboramos uma forma de nos expressar em busca de melhores entendimentos a respeito de tudo o que acontece no mundo.
O meio escolhido para expressar nossas idéias esta sendo uma revista denominada Visões. Ela já esta na segunda edição visto que trata-se de uma empreitada de alguns alunos da faculdade de jornalismo da universidade estadual da Bahia. Sem nenhum vinculo com a instituição de ensino na qual estudamos, lutamos em busca de resultados positivos na hora de conseguir o patrocínio, pois como estamos ainda no começo dos nossos estudos-todos os integrantes da revista estão no 1ºperíodo de jornalismo-não temos base e experiência para tal empreendimento por isso muitas pessoas não acreditaram que iríamos obter tanto sucesso logo na 1º edição.
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